Como fotografar um imóvel para vender mais depressa

Guia prático para agentes e proprietários: preparar o imóvel, escolher enquadramentos, ordenar as divisões e saber o que deixar fora das fotografias.

A maioria das visitas a um imóvel decide-se em poucos segundos, num ecrã de telemóvel, antes de alguém pegar no telefone. Quem procura casa percorre dezenas de anúncios por dia e elimina quase todos pela primeira imagem. Não é justo nem injusto: é assim que funciona. A fotografia não vende a casa, mas é ela que consegue a visita, e sem visita não há proposta.

A boa notícia é que a diferença entre um conjunto de fotografias fraco e um conjunto decente raramente está no equipamento. Está no tempo que se gasta antes de carregar no botão: arrumar, abrir estores, escolher de onde se fotografa cada divisão e decidir o que não entra no enquadramento. Este artigo é sobre isso, pela ordem em que acontece no terreno.

A preparação vale mais do que a câmara

Antes de fotografar, reserve meia hora a uma hora só para preparar. É o investimento com melhor retorno em todo o processo. Comece por retirar tudo o que é circulação diária: sapatos à entrada, panos de loiça, esponjas, produtos de limpeza, caixotes do lixo, tapetes de casa de banho, roupa pendurada atrás das portas. Nas bancadas da cozinha deixe, no máximo, dois ou três objectos — uma taça de fruta, um jarro, uma tábua de madeira. Tudo o resto vai para dentro dos armários.

Depois trate dos pequenos objectos pessoais: fotografias de família, ímanes do frigorífico, diplomas, medicamentos na mesa de cabeceira, correspondência. Quem vê o anúncio precisa de se imaginar a viver ali, e isso é mais difícil com a vida de outra pessoa espalhada pela casa. Não é preciso esvaziar nem despersonalizar ao ponto de parecer um hospital; é preciso tirar o ruído.

Trate também das camas e dos sofás. Uma cama bem feita, com a colcha esticada e almofadas alinhadas, muda por completo a leitura de um quarto. Endireite as almofadas do sofá, alinhe as cadeiras à mesa, feche as portas dos armários, enrole os cabos soltos da televisão e do router. Ligue todas as lâmpadas, mesmo de dia, e substitua as que estão fundidas — um candeeiro apagado num canto escuro lê-se como divisão triste.

Por fim, limpe os vidros e os espelhos e aspire o chão. Vidros sujos aparecem nas fotografias contra a luz e o chão marcado nota-se em grandes angulares. Nas casas de banho, baixe a tampa da sanita, retire escovas de dentes e deixe uma toalha dobrada.

Luz e hora do dia

A luz natural é a sua melhor aliada e também a maior limitação. Fotografe quando a divisão principal recebe luz indirecta — em muitas casas portuguesas isso significa meio da manhã para as fachadas nascentes e meio da tarde para as poentes. Evite o sol a bater directamente nas janelas durante o disparo: cria manchas brancas que apagam a vista e desequilibram toda a imagem.

Abra estores e cortinas por completo, salvo se lá fora estiver uma parede cinzenta a um metro de distância — nesse caso, uma cortina leve corrida suaviza o problema. Se usar telemóvel, toque no ecrã numa zona intermédia da imagem, nem na janela nem no canto mais escuro, e ajuste a exposição manualmente até o interior ficar legível sem queimar a janela.

Para exteriores, varandas, piscinas e jardins, o fim da tarde é quase sempre melhor do que o meio-dia: sombras mais longas, céu com cor, fachada sem contrastes duros. Vale a pena voltar noutro dia só para a fotografia exterior, sobretudo se a primeira visita apanhou céu encoberto.

Enquadramento: altura, cantos e linhas direitas

Três regras simples resolvem a maior parte dos erros. Primeira: fotografe à altura do peito, aproximadamente a um metro e vinte ou um metro e quarenta do chão. Mais alto achata o espaço, mais baixo transforma o sofá numa muralha e dá demasiado protagonismo ao chão.

Segunda: mantenha a câmara direita, paralela ao chão, sem inclinar para cima nem para baixo. As linhas verticais das paredes, portas e armários devem ficar verticais na imagem. Basta inclinar ligeiramente para que as paredes convirjam e a divisão pareça instável. Quase todos os telemóveis têm uma grelha e um nível no modo de fotografia — ligue-os e use-os.

Terceira: fotografe a partir de um canto da divisão, não do meio de uma parede. Do canto vê-se duas paredes e o espaço ganha profundidade; do meio da parede obtém-se uma imagem plana. Recue até encostar e, se a divisão for pequena, fotografe a partir do vão da porta ou do corredor.

Resista à tentação de usar a grande angular máxima em tudo. Uma sala que na fotografia parece o dobro do tamanho cria expectativas que a visita destrói em dez segundos, e isso custa credibilidade ao agente. Prefira duas fotografias honestas da mesma sala a uma única imagem distorcida.

Que divisões mostrar primeiro

A ordem das fotografias no anúncio é uma decisão comercial, não estética. A primeira imagem deve ser o melhor argumento do imóvel: na maioria dos apartamentos é a sala; num imóvel com vista, é a vista; numa moradia, é a fachada ou o jardim; num T0 ou T1 de investimento, pode ser a cozinha aberta sobre a sala.

Depois da primeira, siga um percurso lógico, como se estivesse a acompanhar alguém numa visita: sala, cozinha, suite ou quarto principal, restantes quartos, casas de banho, varanda ou exterior, e só no fim arrecadação, garagem e zonas comuns. Quem vê o anúncio constrói mentalmente a planta da casa — se as imagens saltarem de um quarto para a garagem e de volta à sala, essa leitura perde-se.

Em termos de quantidade, entre quinze e vinte e cinco fotografias costuma funcionar bem para um T2 ou T3; é um número indicativo e depende do imóvel. Duas a três imagens por divisão principal, uma por divisão secundária. Mais do que isso tende a diluir as boas. E tire sempre uma fotografia que mostre a relação entre espaços, por exemplo a sala vista da cozinha: ajuda a perceber o fluxo da casa.

O que deixar de fora

Há imagens que só fazem mal. Fora das fotografias ficam: casas de banho em mau estado sem qualquer preparação, despensas e arrumos cheios, garagens com entulho, divisões vazias e sem luz que não acrescentam nada, e o interior de armários.

Fora ficam também as pessoas e os animais, incluindo o próprio fotógrafo reflectido no espelho da casa de banho ou no vidro do forno — verifique sempre os reflexos antes de disparar. Matrículas de viaturas, janelas de vizinhos e rostos de terceiros devem ficar fora do enquadramento ou ser tratados depois.

Não esconda defeitos estruturais relevantes com ângulos criativos. Uma mancha de humidade, um tecto com infiltração ou uma divisão interior sem janela acabam por aparecer na visita, e o comprador sente que foi enganado. A abordagem útil é diferente: não dar protagonismo ao defeito, mas mencioná-lo com naturalidade no texto do anúncio ou no contacto telefónico. Transparência poupa visitas inúteis e protege a relação.

Por fim, deixe de fora as fotografias repetidas e quase iguais. Se tem quatro imagens do mesmo quarto com um grau de diferença entre si, escolha a melhor e apague as outras.

Em resumo

Prepare a casa com tempo, fotografe com luz natural e a câmara direita, comece pelo melhor argumento e siga um percurso lógico, e tenha a disciplina de não publicar o que não ajuda. É um método simples que qualquer agente pode aplicar com o telemóvel que já tem no bolso, e que faz mais diferença no número de contactos do que qualquer investimento em equipamento.

Depois de ter as fotografias em condições, o passo seguinte é apresentá-las bem: o RenderBuildSell trata do melhoramento e da ambientação das imagens, de renders de remodelação, de vídeos curtos e do texto do anúncio a partir das fotografias e dos dados do imóvel.

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